Etnias de Jaraguá do Sul - Alemã
Alemã | Polonesa | Húngara | Negra | Italiana | Xokleng

 

Bibliografia:

  1. O primeiro livro do Jaraguá de Frei Aurélio Stulzer - Editora Vozes Ltda - RJ - 1973
  2. Jaraguá do Sul e Corupá - Emílio da Silva - 1976
  3. A sociedade colonizadora Hanseática de 1847 e a colonização do interior de Joinville e Blumenau de Klauss Richter Editora Furb - 1992
  4. A colonização alemã no Vale do Itajaí-Mirim de Giralda Seyferth - Editora Movimento/SAB - 1974
  5. Festas de Rei (Königfest) de Silvia Regina Toassi Kita - 2000
  6. O guarda-roupa alemão de Lausimar Laus - Editora e distribuidora Pallas S.A. - 1975



AS RAZÕES DA IMIGRAÇÃO PARA O SUL DO BRASIL

Havia razões bem mais importantes para concentrar grandes contingentes imigratórios entre o planalto e o litoral do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. É evidente que não foram os imigrantes que deliberadamente escolheram essas regiões de floresta para colonizar. Havia uma razão estratégica para que o Governo Imperial destinasse essas áreas a colonização: era preciso abrir vias de comunicação entre o litoral e o planalto e isto só seria viável acompanhando o vale dos principais rios. Segundo Waibel (1958, p. 211-13), o que interessava ao governo brasileiro era estabelecer nas áreas de floresta das províncias meridionais colonos que fossem pequenos proprietários livres, "que cultivassem as terras de mata com auxílio das respectivas famílias e que não estivessem interessadas nem no trabalho escravo, nem na criação de gado". As primeiras colônias foram estabelecidas em pontos estratégicos entre o planalto e o litoral do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a fim de garantir de alguma forma as vias de penetração. Em Santa Catarina, principalmente, não havia comunicação entre a capital Desterro e o planalto e foi com esta finalidade que se deu estímulo à colonização alemã no vale do Itajaí. Outra razão muito forte é que o Governo Imperial sentiu-se pressionado pelos grandes proprietários de café (barões do café) quanto à concessão de terras a estrangeiros em São Paulo. Sendo o café uma das principais fontes de divisas para o país, argumentava-se no Senado que pequenas propriedades, policultoras ou não, encravadas nas áreas cafeeiras seriam extremamente prejudiciais.

Obs: Com a mudança da política em 1830 foi proibida qualquer despesa do governo com colonização estrangeira no Império e a responsabilidade dessa colonização passou a ser dos governos provinciais a partir de 1834. A iniciativa privada na área de colonização só começou a partir de 1850.


O INICIO DO FLUXO IMIGRATÓRIO

A Colônia de Leopoldina, na Bahia, foi o primeiro núcleo colonial fundado com imigrantes alemães no Brasil, em 1818.

Logo após a Independência do Brasil (1822), os primeiros imigrantes alemães começaram a chegar em solo brasileiro em maior escala.

Ao longo de mais de 100 anos entraram no Brasil mais de 250 mil imigrantes.

Os alemães foram protagonistas do primeiro fluxo imigratório mais sistemático que se dirigiu para o Brasil após a independência. Entre 1824 (ano da fundação da primeira colônia alemã no Rio Grande do Sul - São Leopoldo) e 1830 (quando essa imigração foi interrompida por causa da revolução Farroupilha) e, depois, entre 1845 e 1938, o Brasil recebeu imigrantes alemães todos os anos. A imigração alemã, porém, não é a mais significativa em termos numéricos, representando aproximadamente 1/6 do total de italianos. Entre 1850 e 1909 entraram mais ou menos quinze mil alemães em cada década; para o período anterior o número é quase insignificante (apenas 6.938 alemães foram assentados nas regiões de São Leopoldo, Rio Grande do Sul (RS); Rio Negro, Paraná (PR) e Mafra e São Pedro de Alcântara, Santa Catarina (SC).

O maior fluxo ocorreu no período que se seguiu à primeira guerra mundial: na década de 1920 aqui chegaram cerca de 75.000 alemães, quase 30% do total. Segundo as estatísticas disponíveis, o total de imigrantes não ultrapassou 250.000 pessoas e destas, ignora-se quantos realmente permaneceram no Brasil (Carneiro 1950; Willems 1946; Diegues Jr 1964). Tomando como base as estatísticas de entrada no país, os alemães ocupam o quinto lugar, atrás dos italianos, portugueses, espanhóis e japoneses.

Apesar dessa realidade estatística, a imigração alemã foi a que mais suscitou discussões no âmbito da política imigratória (Seyferth 1988, 1991) e o ponto crucial da polêmica estava relacionado às dificuldades de assimilação. A notoriedade está menos nas estatísticas e mais na estreita vinculação da imigração alemã com o processo de colonização de terras devolutas, levado a cabo nos três estados do sul, especialmente a partir da promulgação da Lei de Terras de 1850. Houve assentamentos de alemães em outros estados, mas foram efêmeros, especialmente em Minas Gerais e na Bahia. No Espírito Santo, até hoje, os pomerânios são objeto de curiosidade por terem mantido algumas das suas tradições, apesar da imigração alemã para aquele estado ter durado apenas um curto período.

Já na década de 1920, muitos imigrantes preferiram ficar em cidades maiores, como São Paulo, Curitiba ou Porto Alegre, mas a maior parte deles se dirigiu para as chamadas “colônias alemãs”, não necessariamente na condição de colonos. Entre os imigrantes havia grande contingente de camponeses e membros das classes trabalhadoras em geral, cuja motivação para emigrar estava relacionada à pobreza, mas também havia artífices especializados, refugiados políticos (não muito bem aceitos pelas autoridades brasileiras), ex-militares, pequenos empresários, intelectuais, etc. Segmentos estes que tiveram papel preponderante na formulação do Deutschtum (germanidade) - a expressão étnica da ideologia nacionalista alemã.

A notoriedade, portanto, deriva da concentração dos alemães em poucas regiões, em alguns casos formando colônias homogêneas que, no âmbito da formulação de um estado nacional brasileiro como projeto geopolítico da República, foram olhadas com suspeita de secessionismo. A crítica republicana à política de colonização do Império se fixava, sobretudo, no que chamaram de enquistamento, isolamento dos colonos alemães e sua concentração maior nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina - região onde ainda existiam problemas de fronteira no início do século XX, além de periódicas manifestações separatistas. Mas tanto o Império como a República privilegiaram a imigração européia e a colonização com imigrantes em detrimento dos chamados “trabalhadores nacionais”, que a elite brasileira julgava inferiores. De qualquer modo, isolamento e enquistamento são termos relativos. As “colônias alemãs”, cedo ou tarde, receberam imigrantes de outras etnias (poloneses, italianos, russos, etc.). Sua situação geográfica também não era tão propícia assim ao isolamento: uma vez abertas as vias de comunicação, este foi praticamente anulado. Algumas colônias inclusive estavam bem próximas às capitais provinciais (entre elas as paradigmáticas Blumenau e São Leopoldo) - que também receberam imigrantes desinteressados da condição de colonos. E, finalmente, o próprio grupo alemão tinha suas divisões internas, regionais (em alguns casos) e religiosas (a clivagem entre católicos e evangélico-luteranos foi bastante forte antes da era do ecumenismo).


170 ANOS DA IMIGRAÇÃO ALEMÃ NO PARANÁ E SANTA CATARINA - 1829 - 1999

Na verdade a História mais saliente da imigração alemã teve início em 1828, quando no dia 30 de junho, saiu do Porto de Bremen o navio veleiro Charlotte Louise, a caminho do Brasil, terra que se mostrava promissora diante de notícias enviadas para a Europa. O Governo da Prússia avisou os interessados na Imigração que seria penoso e que era uma verdadeira aventura ir para um país longínquo. O conselho do Governo não foi ouvido pelos Imigrantes. O navio aportou no Rio de Janeiro em 2 de outubro de 1828. Depois dos imigrantes alemães permanecerem no Rio de Janeiro e até mesmo em Santos, vieram para o Sul do Brasil em navio nacional, chegando em Antonina, Paraná, em 15 de janeiro de 1829. A história narra que os imigrantes permaneceram um tempo na localidade denominada Porto de Cima (Paraná) e no dia 6 de fevereiro estavam em Rio Negro, onde ficaram em verdadeiro estado de abandono em acampamentos improvisados. Sabe-se que estes alemães vieram "Porque o Governo mandou vir os colonos sem ter organizado um plano determinado, sem preparar-lhes de antemão o estabelecimento ou trabalho, sem adotar e por em execução aquelas medidas garantindo o bem estar futuro dos imigrados sem se aparelhar, enfim para recebê-los, agindo somente depois que aqui chegavam, impelido pelas circunstâncias.". Enfim, considera-se o dia 6 de fevereiro de 1829 a data da fixação da primeira colônia alemã no Paraná.

Mais tarde...

O ano de 1848 foi decisivo para a colonização alemã em Santa Catarina. Ocorria em toda a Europa a imigração incessante e intensa das populações alemãs para os países livres da América. A imigração em massa era nada mais nada menos que fruto dos desajustes sociais na Europa durante o Século XIX. Vivia na Prússia, no ano de 1843. O Cônsul Geral do Imperial Governo Brasileiro. Seu nome era Johan Jacob Sturz. Este homem voltou para o Brasil depois de exercer as vezes de Cônsul na Prússia e passou a ter grande relacionamento social e político com as Autoridades, Ministros e principalmente com a família imperial. Também foi um dos precursores do movimento abolicionista no Brasil. Foi um dos mais notáveis abolicionistas da época. Desta forma, o Governo Imperial Brasileiro nomeou Johan Jacob Sturz representante do Brasil no reino da Prússia para levar adiante o movimento de substituição das forças braçais negras por brancos livres. Pode-se dizer que a imigração de alemães para o Brasil obteve amparo, também neste aspecto sociológico. Como os primeiros imigrantes tinham sido abandonados à sua própria sorte pelo Governo Brasileiro, o Governo Alemão firmou um contrato por volta de 1848, onde preceituava as condições para a recepção de colonizadores alemães no Brasil, fator importante para um bom início dos imigrantes em terras estranhas, apoio este que não aconteceu devidamente mais tarde, para os imigrantes poloneses e italianos.

Em Santa Catarina

Foi destinado aos primeiros colonos a região localizada cerca de 36 km da costa da atual capital - Florianópolis - o núcleo da Província São Pedro de Alcântara no ano de 1829.

No ano de 1850 era Presidente da Província Dr. João José Coutinho, o qual aprovou os projetos da Sociedade Colonizadora de Hamburgo. A colonização iniciou-se por São Francisco do Sul. A cidade onde chegaram os colonizadores foi por muitos anos nominada de Colônia D. Francisca (1851), em homenagem a Princesa Brasileira. A maior parte da imigração de alemães para esta Colônia ocorreu entre os anos de 1851 até o ano de 1856, quando cessou por completo. Posteriormente, a Colônia D. Francisca passou a denominar-se Joinville, ou seja, nome de uma cidade francesa, onde situava-se o Castelo onde nascera François Ferdinand Philippe Louis Marie, o Príncipe de Joinville. Isto ocorreu porque o 3º Relatório da Sociedade Colonizadora, firmado por Benno Frankenberg denominou o lugarejo, ou seja, as terras recebidas pelo Príncipe como dote, definitivamente de Joinville. (relevante)

Foram vários os navios que aportaram no Brasil com imigrantes Alemães. Praticamente no último ano da imigração, precisamente em 1856, no dia 7 de agosto, aportou na Província a barca Machtilda Cornélia, com muitos imigrantes prussianos, entre eles, oito membros da Família Hey.

Devemos salientar também a colonização das terras de Blumenau quando em 1850, o médico-farmacêutico e filósofo alemão Dr. Hermann Bruno Otto Blumenau, obteve do governo Provincial uma área de terras de duas léguas, em quadro para nela estabelecer uma colônia agrícola, com imigrantes europeus. A 02 de setembro daquele ano, chegaram ao local onde hoje se ergue a cidade de Blumenau, os primeiros colonos, em número de 17, liderados pelo Dr. Blumenau. Quando veio a emancipação, o núcleo inicial, fundado às margens do Garcia, havia se expandido por quase todo o território da Bacia do Itajaí, compreendendo uma área de cerca de 20 mil km2, com uma população de 15.000 almas, em seguida, foram fundadas as Colônias de D. Francisca (1851) - instalada pela Hamburger Kolonisationsverein, Itajaí-Brusque (1860) e Ibirama (1899) instalada pela Hanseatische Kolonisationsgesselschaft, a primeira nas terras da Princesa D. Francisca, a segunda no médio Itajaí-Mirim e a terceira no alto Itajaí-Açu.

Jaraguá do Sul

Temos assentamentos nos livros eclesiásticos de que em 1912 dos oito mil habitantes de Jaraguá quatro mil e quinhentos falavam o alemão. Isto perfazia um total de 57% na época. Muitos outros imigrantes alemães vieram após esta data, como colonos, comerciantes e empreendedores de novos negócios, principalmente na indústria.
Voltando ao início da colonização destas terras tem-se registro de muitas famílias que adquiriram seus lotes vendidos pela comarca de Joinville tendo à frente o Coronel Emílio Carlos Jourdan como principal empreendedor na colonização da colônia de Jaraguá.
Várias famílias foram se estabelecendo. Podemos citar, em 1889 veio a família de Maximiliano Schubert (Max), tendo ele sido o primeiro intendente do Itapocu. Hoje temos uma escola municipal que leva o seu nome na chamada Tifa Schubert. Em maio 1890 João Gotlieb Stein veio com sua família, buscando um futuro melhor. A numerosa família de Emílio Horst veio para a colônia Jaraguá em abril de 1893. A família Kanzler estabeleceu-se nestas terras em 1895 tendo sido destaque Lorenço Kanzler. Um de seus descendentes emprestou seu nome a uma escola municipal - Albano Kanzler. Carl Vasel veio com sua família em 1912. Assim podemos desfolhar inúmeras famílias que aqui aportaram em busca de uma vida nova.
Na comunidade do Rio da Luz como, Dallman, Lemke, Lindermann, Böeder, Döeger, Mathias, Hoffmann, Hornburg etc... A lista de professores que trabalharam na Escola Rio da Luz Vitória: 1908 Wilhelm Schulz, 1909 Fritz Asendorf, 1911 Otto Winter, 1914 Heinrich Schmitz, 1917 Alberto Voigt, 1919 Friedrich Brandt, 1924 Adalbert Haffner, 1926 Christian Weckwert, e após esta data ainda os professores Robert Sendner, Hermann Emke e Alvina Karsten, encerrando a década de 30. Muitos foram os professores que se sucederam inclusive, o professor Arnoldo Schulz (falecido em 2002), preservando a identidade da comunidade escolar.

Se observarmos as identificações nos jazigos dos diversos cemitérios de Jaraguá perceberemos quão grande é a influência da colonização dos alemães. Podemos citar como exemplo, as identificações dos sobrenomes do cemitério da comunidade do Rio Cêrro: Borchardt, Pasold, Siewerdt, Grützmacher, Bruch, Fischer, Porath, Utpadel, Strelow, Konell, Giese, Volkmann, Kopp, Schroeder,Hornburg, Krüger, Doege, Reinke, Paupitz, Muller, Bloedom, Hass, Gumz etc...

Gustavo Gumz foi um dos pioneiros do Rio Cerro, nasceu em 1885. Casou-se aos 28 anos com Ana Sell (esta com 21 anos), no dia 17 de dezembro de 1913. O casamento civil foi realizado em Blumenau e o religioso na Igreja Luterana de Pomerode. Veio morar em Rio Cerro em dezembro de 1913 comprando ali 100 morgos de terra pelo valor de 5.500$000 réis do Sr. Hermann Konell. A marca da bebida “Chocoleite” criada na sua indústria de laticínios perpetua-se até nossos dias.

São apenas alguns dos sobrenomes de pioneiros que desbravaram estas terras.


CARACTERÍSTICAS QUE DEFINIAM OS COLONIZADORES ALEMÃES E SEUS DESCENDENTES

De maneira bem objetiva, a comunidade étnica teuto-brasileira foi definida através de critérios de pertencimento bastante inclusivos:

  • O uso da língua alemã (o bilingüismo só seria incentivado na década de 30);
  • A preservação de usos e costumes tradicionais, que diferenciavam dos brasileiros os seus hábitos alimentares;
  • O comportamento religioso;
  • A organização do espaço doméstico (tanto no interior das casas quanto nos terrenos circundantes);
  • As concepções de trabalho e lazer, as formas de sociabilidade, as concepções acerca do universo feminino; Além de um ethos camponês próprio dos colonos; a intensidade da vida associativa, através de todo um conjunto de sociedades culturais e recreativas que se encarregavam de difundir valores da cultura alemã vinculados ao teatro, literatura, música (especialmente à forma mais caracteristicamente germânica do Lied), dança, ginástica e esportes (caso das Turnvereine ou sociedades de ginástica e das Schützenvereine ou sociedade de tiro), e que assumiram um forte conteúdo étnico;

A escola alemã e a família como baluartes do ensino da língua alemã.

Existiam ainda, os jornais e outras publicações em língua alemã, que ao lado da função informativa e noticiosa, também serviam de veículo aos literatos teuto-brasileiros e aos autores alemães mais tradicionalmente nacionalistas, como nos textos que ressaltavam a identidade étnica.

A listagem das diferenças poderia ir bem mais longe se fossem considerados os traçados das cidades nas áreas de colonização, a arquitetura (inclusive religiosa), a organização do espaço rural, etc. E a par dessas características mais objetivas e visíveis, podem ainda ser ressaltados os elementos subjetivos e simbólicos do discurso étnico, que reportam à origem comum, assumindo muitas vezes a forma de preconceito racial, impondo o mais efetivo dos limites grupais - a endogamia - com a condenação explícita dos casamentos inter-étnicos.


O USO DA LINGUA MATERNA

O uso do idioma alemão no dia a dia, bem como toda a organização comunitária que incluía a escola particular com ensino em alemão (tanto no meio rural como no meio urbano), o complexo econômico e social originado da colonização baseada na pequena propriedade familiar são anteriores à emergência da etnicidade, mas acabaram por se constituir como marcas diferenciadoras do colono alemão, embora outras etnias imigradas compartilhassem desse modelo de sociedade, que é o caso dos Poloneses e Italianos. Na verdade nessas regiões de colonização européia, formou-se um campesinato específico bem diferente da tradição rural brasileira.


AS PROIBIÇÕES
 
Os brasileiros atribuíram um sentido diverso a essa categoria, negativamente associada a um sentimento anti-nacional, sob o argumento de que a nação brasileira não comportava as duplas identidades ameaçadoras da sua integridade. Os primeiros protestos de intelectuais e políticos brasileiros contra o uso da língua alemã, por exemplo, datam do início da república, sendo Silvio Romero o mais radical na externalização de um sentimento antigermânico. Estranhamento bem exemplificado encontra-se no livro de Rui Alencar Nogueira (1947), tenente do exército, cearense, que participou da campanha em Blumenau, tudo ali foi por ele considerado antibrasileiro, desde a língua falada em público, passando pela arquitetura das casas e prédios públicos, cemitérios, mulheres bebendo cerveja nos clubes, até as bicicletas nas ruas. Perdia-se, conforme seus termos, a sensação de Brasil. A perplexidade de Nogueira diante da cidade “esquisita”, símbolo da germanidade, só não foi maior que a perplexidade dos descendentes de alemães diante da repressão, uma vez que se consideravam legítimos cidadãos brasileiros (Seyferth 1982).


EXCLUSÃO DO PROCESSO POLÍTICO

Ao final do século XIX, a condição de minoria nacional se tornara incômoda, e as lideranças teuto-brasileiras mais atuantes passaram a cuidar não só dos interesses econômicos, mas também dos interesses políticos das colônias. Ao longo do Império, por diversas razões os imigrantes naturalizados e descendentes nascidos no Brasil ficaram à margem da cidadania, havendo interesse das classes dominantes brasileiras em deixar os colonos fora do processo político. Foram considerados estrangeiros, exatamente porque assumiram uma identidade étnica que acabou por incomodar ainda mais a elite republicana.

No início deste século, os teuto-brasileiros resistiam à assimilação. A continuidade do fluxo imigratório alimentava a ligação cultural com a Alemanha.

As instituições comunitárias reforçavam o pertencimento étnico, auxiliadas pelo ideário da germanidade e seu postulado do direito de sangue - o mito do sangue comum acrescentando um componente racial à etnicidade, mas não necessariamente fenotípico.

A origem comum é a base da identidade étnica, sem menosprezo pela cidadania/pátria brasileira. Houve uma reapropriação da ideologia nacionalista alemã que antecedeu à unificação da Alemanha (portanto, daquele nacionalismo de Fichte e Arendt, desenvolvido como ideologia no início do século XIX, postulando uma Nação Alemã de natureza cultural), perceptível nas publicações teuto-brasileiras, que ressaltavam o caráter étnico da identidade nacional e sua desvinculação política da Alemanha.


O RACISMO CONTRA OS IMIGRANTES ALEMÃES E SEUS DESCENDENTES

O conceito de Deutschbrazilianertum (os descendentes de alemães), continha uma proposta de pluralismo étnico-cultural pela qual cada grupo nacional devia ter o direito de perpetuar seus costumes, seus valores morais e sua língua materna. Proposta que entrava em choque com a concepção brasileira de estado nacional, fundamentada no direito de solo e na assimilação. Por outro lado, as expressões de preconceito racial, mais evidentes na argumentação sobre a endogamia, serviram de base para recusar a assimilação e alimentaram bastante as especulações brasileiras sobre o “perigo alemão”. Especulações surgidas não só porque as regiões de colonização alemã se tornaram visíveis para a sociedade mais ampla, como também porque o preconceito racial e a conseqüente desqualificação de grande parte da população brasileira foi acirrado com a entrada em cena dos pangermanistas e mais tarde, dos nazistas. Estes últimos influenciaram parte da imprensa e das instituições teuto-brasileiras, inclusive a escola alemã.

O caráter étnico da organização comunitária teuto-brasileira levou muitos brasileiros a imaginar a possibilidade de uma secessão no sul, patrocinada pelo imperialismo alemão. O “perigo alemão”, portanto, consistia na ameaça de criação de um estado independente englobando o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, ou na transformação das regiões de colonização alemã em colônias da Alemanha.

Além disso, temia-se que o pluralismo proposto pelos teuto-brasileiros fosse também reivindicado pelas demais etnias imigradas. Diversos incidentes, explorados na imprensa nacional e internacional, pareciam dar razão aos que denunciavam o perigo secessionista. Os conflitos iriam repetir-se durante a primeira guerra mundial, sobretudo após o posicionamento formal do Brasil em favor dos aliados em 1917.

Por outro lado, desde o século XIX, houve empenho de algumas lideranças teuto-brasileiras como Karl von Koseritz, em criar condições de aumento do fluxo imigratório alemão para o Brasil.

O posicionamento dos jornais teuto-brasileiros em favor da Alemanha até 1916 também repercutiu mal no resto do país.

A imprensa foi então censurada, os jornais saíram de circulação entre 1917 e 1919, e todas as manifestações de natureza étnica foram proibidas. No entanto, apesar da intensidade da propaganda pangermanista até 1914 e dos conflitos mencionados, a identidade de Auslanddeutsche (alemães no estrangeiro), foi recusada, preservando-se uma concepção teuto-brasileira de grupo étnico.
 

Salientamos que:

O processo de aculturação já era irreversível (Willems 1946 quando os nazistas iniciaram sua propaganda). Antes da nacionalização do ensino, em 1937, as escolas alemãs já haviam introduzido a língua portuguesa nos seus currículos. Resta dizer que, mais uma vez, prevaleceria no âmbito das “colônias alemãs” o dualismo implícito na categoria teuto-brasileira, uma conciliação entre a origem alemã e a cidadania brasileira que nem pangermanistas e nem nazistas, conseguiram anular.

Este processo conciliatório entre a cultura alemã e a brasileira resultou numa nova riqueza cultural que resistiu ao tempo. Em todos estes anos as diferentes manifestações étnicas perpetuam-se em manifestações folclóricas (danças), festas típicas (Schützenfest - festa do tiro ao alvo; Königfest - festa de rei ; Kegelfest - festa do bolão; Choppfest - festa do chope), manifestações estas que acontecem sobretudo no mês de outubro em SC, e ainda a Münchenfest - festa do chope escuro em Ponta Grossa PR. Estas festa acontecem também em outras cidades sobretudo no Sul e Sudeste do Brasil. Nestas festas são apresentadas: a culinária, os trajes típicos, a música típica e entre uns e outros ainda se houve falar na língua alemã de acordo com seus regionalismos que muitas vezes só existem aqui pois nem a Alemanha, país de origem, conseguiu preservar este linguajar vindo com os primeiros imigrantes.

Grupos folclóricos e corais típicos também são agentes de preservação da cultura étnica sem omitirmos os cultos religiosos e o próprio ensino da língua pelos Centros de Cultura alemã.

Em Jaraguá do Sul, o Centro de Cultura Alemã desenvolve um significante trabalho para manter vivos todos estes traços culturais. Certamente esta é uma das formas de preservar e legar para a posterioridade um pouco das riquezas étnicas que ainda restam.


FORMAS DE PRESERVAÇÃO CULTURAL

Religiosidade

Grande parte dos imigrantes alemães vindos ao Brasil pertenciam à Igreja Luterana a qual surgiu com Martinho Lutero que nasceu a 10 de novembro de 1483, na cidade de Eisleben, na Alemanha. No ano de 1530, surgiu a Confissão de Augsburgo que foi escrita por Lutero e Melanchton, seu fiel companheiro. Este documento trazia um resumo dos ensinamentos luteranos. Pouco a pouco, o ideal de reforma da Igreja Católica que Lutero possuía foi sendo sufocado e o reformador, viu-se obrigado juntamente com seus seguidores, a formar um grupo separado de cristãos que queriam permanecer fiéis às verdades bíblicas do Evangelho. Surgia assim a Igreja Luterana. Lutero morreu a 18 de fevereiro de 1546, após ter traduzido a Bíblia para o alemão popular e ter escrito inúmeras obras e tratados teológicos. Após sua morte, os luteranos, que já eram um bom número, passaram a discordar entre si de alguns pontos da doutrina. Para solucionar os problemas, foi escrita em 1577, a Fórmula de Concórdia. Em 1580, 50 anos após a publicação da Confissão de Augsburgo, surgiu o Livro de Concórdia que reúne todas as Confissões de Fé da Igreja Luterana.

Os imigrantes alemães tinham a preocupação de construir suas igrejas onde os fieis buscavam alento nas dificuldades do dia a dia rezando, cantando e festejando as datas importantes de acordo com a confissão religiosa de cada comunidade. A escola e a catequese andavam juntas bem como os casamentos que até os anos 60 geralmente aconteciam entre pessoas da mesma etnia e não raro o Pastor era também o Professor das comunidades protestantes não sendo este o caso nas comunidades católicas pois nestas o professor era escolhido dentre os imigrantes que tivesse mais estudo e mais prática para a profissão.


AS ORAÇÕES MAIS CONHECIDAS

1 - Vater Unser - Pai Nosso

Vater unser, Der Du bist im Himmel, Geheiligt werde Dein Name, Dein Reich komme,
Dein Wille geschehe, Wie im Himmel So auch auf Erden.

Unser tägliches Brot gib uns heute, Und vergib uns unsere Schuld, Wie auch wir
Vergeben unser'n Schuldigern, Und führe uns nicht in Versuchung
Sondern erlöse uns von dem Bösen, Denn Dein ist das Reich
Und die Kraft und die Herrlichkeit, In Ewigkeit. Amen


2 - Ave Maria

Gegrüßet seist du, Maria, voll der Gnade, der Herr ist mit dir. Du bist gebenedeit unter den Frauen, und gebenedeit ist die Frucht deines Leibes, Jesus. Heilige Maria, Mutter Gottes, bitte für uns Sünder jetzt und in der Stunde unseres Todes. Amen


3 - Ich glaube an Gott, den Vater – Creio em Deus Pai

Ich glaube an Gott, den Vater, den Allmächtigen, den Schöpfer des Himmels und der Erde.
Ich glaube an Jesus Christus, seinen eingeborenen Sohn, unsern Herrn, empfangen durch den Heiligen Geist, geboren von der Jungfrau Maria, gelitten unter Pontius Pilatus, gekreuzigt, gestorben und begraben, hinab gestiegen in das Reich des Todes, auferstanden von den Toten, aufgefahren in den Himmel; er sitzt zur Rechten Gottes, des allmächtigen Vaters; von dort wird er kommen, zu richten die Lebenden und die Toten.

Ich glaube an den Heiligen Geist, die heilige christliche Kirche, Gemeinschaft der Heiligen, Vergebung der Sünden, Auferstehung der Toten und das ewige Leben. Amen


4 - Die Zehn Gebote (Kurzfassung) - Os Dez Mandamentos

  1. Du sollt keine anderen Götter haben neben mir
  2. Du sollst den Namen des Herrn... nicht missbrauchen
  3. Du sollst den Feiertag heiligen
  4. Du sollst deinen Vater und deine Mutter ehren
  5. Du sollst nicht töten
  6. Du sollst nicht ehebrechen
  7. Du sollst nicht stehlen
  8. Du sollst nicht falsch Zeugnis reden
  9. Du sollst nicht begehren deines Nächsten Haus
  10. Du sollst nicht begehren deines Nächsten Weib


5 - Die fünf Gebote der Kirche - Os cinco mandamentos da Igreja católica

  1. Du sollst an Sonn- und Feiertagen der heiligen Messe andächtig beiwohnen.
  2. Du sollst deine Sünden jährlich wenigstens einmal beichten.
  3. Du sollst wenigstens zur österlichen Zeit sowie in Todesgefahr die heilige Kommunion empfangen.
  4. Du sollst die gebotenen Feiertage halten.
  5. Du sollst die gebotenen Fasttage halten.


6 - Orações à mesa

Antes das refeições: Komm Herr Jesu, sei unser Gast und regne uns was. Du uns bescheret hapst. Amen
Após as refeições: Danket dem Heren den er ist freundlich und seine Güte bleibet enrzlich. Amen



CULINÁRIA

Eisbein - Joelho de Porco - Um dos pratos mais famosos da culinária alemã

2 - joelhos de porco com 600g a 700g cada
3 a 4 -  folhas de louro
1 - ramo de alecrim
1 - ramo de coentro ou coentro em grão (a gosto)
1 - pedaço de pau de canela
2 - litros de água (aproximadamente)

Molho para assar
1/2 - xícara (chá) de molho de soja
1 - colher (sopa) de glucose de milho ou mel
Joelho de porco

Deixe o joelho salgado de molho na água por 1 hora, para sair o sangue e o excesso de sal. Em seguida, numa panela de pressão com água suficiente para cobrir os joelhos, o louro, o alecrim, o coentro, a canela, cozinhe o joelho durante 1 hora, aproximadamente. Sirva com mostarda clara ou escura ou ainda pimenta.

Molho para assar
Misture bem os dois ingredientes e passe no joelho cozido antes de levá-lo ao forno. Leve ao forno médio por 15 minutos e vá regando com o molho.
Dicas: depois de cozido, mergulhe os joelhos em bastante óleo fervente, para "pururucar" (tostar). O joelho de porco a pururuca é servido com compota de maçã ou chucrute.


MÚSICA

As Schützenvereine (sociedades de tiro) eram locais onde as bandinhas executavam as músicas típicas - vValsas, marchinhas, polkas, etc...Algumas musicas mais conhecidas até hoje:

1- Lustig ist das Zigeunerleben – Valtz

1. Lustig ist das Zigeunerleben, faria, faria, oh.
    Brauchen dem Kaiser Kein Zins zu geben, faria, faria, oh.
    //Lustig ist's im grünen Wald wo des Zigeuners Aufenthalt
    faria, faria, faria, faria, faria, oh... 2x
2. Sollt uns einmal der Hunger plagen faria, faria, oh
    Tun wir uns ein Hirschlein jagen faria, faria oh.
    // Hirschlein nim dich wohl in acht wenn das Zigeuners Büchse kracht
    Faria, faria, faria, faria oh. 2x
3. Sollt uns ainmal der Durst sehr qüalen, faria, faria, oh
    Gehn wir hin zu Wasserquellen, faria, faria, oh.
    // Trinken das Wasser wie kühlen wein, meinen es müste champagner sein
    Faria, faria, faria, faria, faria, oh...2x


2- Oh Isabella – Valtz

1. Sie last mich nicht, sie last mich nicht, sie last mir keine ruth.
    Und venn sie Abens schlafen geht macht sie die ture zu - 2x
    Estr. Oh Isabella oh wie schon bist du – 2x
2. Ein Heisser Kuss ein susser Kuss das ware gar nicht schlecht
    Doch wenn ich ihr drumm bitten du dann ist es ihr nicht recht - 2x


3- Horch, was kommt von draussen rein ? March

1. Horch, was kommt von draussen rein, hollahi, hollaho.
    Wird wohl mein Feinsliebchensein, hollahiaho?
    Geht vorbei und schaut nicht rein, hollahi hollaho.
    Wird’s wohl nicht gewesen sein, hollahi aho!
2. Leute haben’s oft gesagt, hollahi, hollaho.
   Dass ich ein Feinsliebchens hab, hollaiaho
   Lass sie reden, schweig fein still, hollahi, hollaho
   Kann já lieben, wen ich will, hollahiaho
3. Wen mein Liebchein Hochzeit hat, hollahi, hollaho
    ist für mich ein Trauertag, hollaiaho.
   Geh ich in mein Kämmerlein, hollahi, hollaho.
   Trage meinen Schmertz allein, hollahiaho
4. Wenn ich dann gestober bin, hollahi, hollaho,
    trägt man mich zum Grabe hin, hollahiaho.
   Setz mir keinen Leichestein, hollahi, hollaho
   Pflanzt mir drauf Vergissnichtmein, hollahiaho.


O Hino da República Federal da Alemanha

 é o "Hino da Alemanha". O texto das três estrofes é da autoria de August Heinrich Hoffmann von Fallersleben (1798 - 1809); a melodia é do "Hino ao Imperador", de Joseph Haydn (1732 - 1809). Em atos oficiais é cantada a terceira estrofe.

 

TRAJES TÍPICOS - VOLKSTRACHTEN


1- Traje da região da Renânia

O traje é composto de um colete na cor vinho, com calças pretas ornada de botões dourados, gravata preta, camisa e meias brancas para os homens. As mulheres usam um vestido cinza, com avental, meias e blusa brancas, com enfeites em vermelho e detalhes em renda. Há uma variação deste traje, onde pode ser feita a substituição do colete por um suspensório e camisa com um "babador" bordado para os homens, e a troca do avental branco, por um vermelho bordado, para as mulheres.


Traje da Renânia (Rheinland Pfalz de Petrópolis - RJ)

 


Outra variação do traje da Renânia (Rheinland Pfalz de Petrópolis - RJ)


2- O traje de Oberwezel

Oberwezel é a região dos vinhos do Reno. Trata-se de um sommertracht (traje de passeio), Os homens usam calças pretas, e colete azul e vermelho, com detalhes em dourado, gravata de laço preta e meias brancas, ornamentadas. O traje das mulheres é composto de uma saia azul com barra vermelha, avental e meias brancas, colete preto com detalhes dourados e blusa branca bordada de flores com detalhes em renda.


Traje de Oberwezel


 

3- O traje da Bavária

A Bavária fica no sul da Alemanha. O traje dos homens é composto de meias cinzas, calças e gravata de laço verdes, camisa branca e suspensório de couro, com a inicial do nome do grupo em gótico e desenhos de edelweiss. No traje das mulheres, o vestido é composto de corpete preto com botões prateados ornamentados, saia vinho, avental rosa, meias brancas e blusa branca com detalhes em renda e camafeu.


Traje da Bavária (Bautrngruppe - Petrópolis - RJ)


4- O traje de Salzburg

Salzburg teve muita influência austríaca o que se faz notar na confecção dos trajes típicos desta região.O estilo simplificado da região apresenta o traje dos homens que vestem : calças pretas bordadas com suspensório, meias marfim ornamentadas, camisa branca e gravata vermelha. O traje das mulheres é composto de: vestido marrom, lenço vermelho com passador de pérolas, meias, blusa e avental marfim.

Há uma variação de traje desta região que pode ser para os homens : uma bermuda e suspensório preto, camisa branca, gravata vinho e meias marrom. Para as mulheres um vestido vinho, com avental branco assim como as blusas , meias e lenço ornamentados na cor salmão.


Traje de Salzburg (Bauerngruppe - Petrópolis - RJ)

 


Outra variação do traje típico de Salzburg (Bauerngruppe - Petrópolis - RJ)


5- O traje de Marktbürg

A região de Marktbürg também é influenciada pelas tradições da Áustria. O traje masculino é composto de calças de couro bordadas, meias marfim de lã ornamentadas, sapatos de modelo austríaco com fecho em diagonal, camisas brancas com bordados e botões de osso, suspensório de lã verde e preto com águia austríaca bordada, cinturão de couro típico bordado a mão, colete preto de veludo alemão com bordados de tulipa, casaco de lã verde com detalhes em preto e botões tipicamente austríacos, e chapéu de lã com aba reta.O traje das mulheres é composto de um vestido de corpete marfim com detalhes bordados e presilhas prateadas, saia marrom de crepe com barra preta, meias ornamentadas em marfim, sapatos em estilo austríaco, blusa marfim com detalhes em renda, avental salmão, como lenço de pescoço, ao qual é preso uma jóia confeccionada artesanalmente, com edelweiss( flor típica dos penhascos dos Alpes) genuíno.

Traje de Marktbürg


Os trajes típicos da etnia alemã também se adaptaram em muitos aspectos à realidade brasileira devido ás diferenças de clima, bem como à carência de materiais para a confecção dos mesmos mantendo contudo o brilho das cores e das características das regiões de onde vieram os imigrantes alemães.
 

CONCLUSÃO

Os descendentes da Etnia Alemã, tem toda uma riqueza cultural a ser preservada, perpetuando os costumes e tradições, não permitindo que a globalização anule toda esta herança que faz o diferencial no “modus vivendi” (modo de viver) de cada comunidade. O marasmo e a mesmice são doenças de um povo que abandona a diversidade cultural e cai num ostracismo sem se importar com a preservação de aspectos indispensáveis para sua sobrevivência sócio-cultural. O Lusitanismo, muitas vezes imposto, não pode ser uma aresta na preservação da cultura étnica. Muitos se alcunham brasileiros sem sequer saberem o que isto significa pois não se identificam com nenhuma das manifestações culturais que deveriam fazer parte de suas raízes familiares dentro de um contexto cívico-cultural. É possível nesta miscigenação cultural preservar os costumes e tradições pertinentes a cada etnia.

“Ein Prosit, ein Prosit der Gemütlichkeit”
(Saúde, do fundo do coração)



     

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