Etnias de Jaraguá do Sul - Negra
Alemã | Polonesa | Húngara | Negra | Italiana | Xokleng


Compilação e elaboração do texto, Ignácio Arendt, o texto a seguir terá como base, dados bibliográficos de autores como:

René Ribeiro, Vivaldo da Costa Lima, Gilberto Freyre, Valdir de Oliveira, Candido mendes de Almeida, Navarro de Brito, Thales de Azevedo e Descoeredes dos Santos. Também estarão incluídos dados dos livros "Tenda do milagres" e "Jubiabá" de Jorge Amado. Porém a principal fonte de dados é o livro do Francês Jean Ziègler, autor do livro "Le pouvoir Africain" (O poder Africano), o qual servirá como suporte da pesquisa a seguir.


INTRODUÇÃO

Mais de 20 milhões de indivíduos, homens, mulheres e crianças africanos viram-se arrancados de seus lares e deportados para o outro lado do mar nas Três Américas. Há uma análise minuciosa feita por Pierre Verger em sua tese de doutorado, sobre o tráfego dos negreiros entre o Golfo de Benin (Nigéria) e a Baia de Todos os Santos (Brasil). Geralmente dos duzentos escravos acorrentados, transportados por uma embarcação normal, mais de um terço perecia no decorrer dos dois meses que levava a travessia da África até a Bahia, no Brasil. Dos restantes cerca de um quarto nem tinham forças para desembarcar, morrendo na praia e enterrados ali mesmo. Para os que chegavam a alcançar os depósitos do porto e o mercado local, a média de sobrevivência até o século XVIII, era apenas de sete anos. Somente Buschewald e a loucura nazista poderiam fazer com que os europeus chegassem a compreender o horror que haviam imposto aos africanos. Além disso, muitos africanos procuravam escapar da situação praticando o suicídio por ingestão de grandes quantidades de terra (Geografia). Os escravagistas combatiam esta prática obrigando os negros a usarem uma máscara de ferro dutante os trabalhos no campo. Conforme J.B. Debret, a máscara metálica que cobria toda a cabeça só camportava cinco orifícios: para os olhos e o nariz (J.B. Debret, A Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, Ed. De Ouro, Rio de Janeiro).


A GUERRA ENTRE AS TRIBOS DA ÁFRICA

No mapa você pode ver a atual República de Benin que era ocupada por pequenas monarquias tribais e que a partir do século XVII, os portugueses estabeleceram entrepostos no litoral para o comércio de escravos, conhecido então como Costa dos Escravos. As tribos mais poderosas subjugavam seus inimigos e os vendiam aos portugueses que por sua vez os revendiam no Brasil e no Caribe. Estes pertenciam à Etnia Yorubá que ocupava a grande região desde a Nigéria até a República Centro-Africana. Outras etnias trazidas ao Brasil foram as dos Bantus, Congoleses da África Central, Oriental e Meridional, e Sudaneses da África Setentrional. Devemos salientar que a etnia Yorubá era a mais desenvolvida na época e impôs a sua cultura étnico-religiosa para a maioria dos negros do Brasil. Infelizmente esta guerra inter-tribal teve consequências dramáticas, certamente jamais imaginadas pelos coirmãos que venderam seus próprios semelhantes.
 

A CULTURA ESPIRITUAL DOS NEGROS

O culto dos orixás remonta de muitos séculos, talvez sendo um dos mais antigos cultos religiosos de toda história da humanidade. O objetivo principal deste culto é o equilíbrio entre o ser humano e a divindade aí chamada de orixá. A religião de orixá tem por base ensinamentos que são passados de geração a geração de forma oral.

Basicamente este culto está assim organizado:

  • Olorun - Senhor Supremo ou Deus Todo Poderoso
  • Olodumare - Senhor do Destino
  • Orunmilá - Divindade da Sabedoria (Senhor do Oráculo de Ifá)
  • Orixá - Divindade de Comunicação entre Olodumare e os homens, também chamado de elegun, onde a palavra elegun quer dizer "aquele que pode ser possuído pelo Orixá"
  • Egungun - Espíritos dos Ancestrais

A Linguagem Oral: através da qual se expressa os orins (cânticos), àdúràs (rezas), Ofos (encantamentos) e oríkìs (louvações). É através dela que se conversa com os Òrìsàs.(Orixás)

Os mitos são muito importantes no culto dos orixás, pois é através deles que encontramos explicações plausíveis para determinados ritos.

Apesar de destruídas as linhagens e massacrados os clãs, não obstante o distanciamento geográgico, a dispersão das famílias e a redução da pessoa negra à condições de objeto discricionariamente manejável, o negro, povo massacrado, sobreviveu.

Em plena terra de exílio manteve-se uma das mais maravilhosas culturas do mundo. Suas células vivas se chamam:  

  • Candomblé
  • Terreiro
  • Xangô ou Macumba 
  • Umbanda

Candomblé
Nasceu da necessidade dos negros escravos em realizarem seus rituais religiosos que no princípio eram proibidos pelos senhores de escravos. E para burlar essa proibição, os negros faziam seus assentamentos e os escondiam, preferencialmente fazendo um buraco no chão, cobrindo-os e por cima colocavam e dançavam para seus Òrìsà, dizendo que estavam cantando e dançando em homenagem àquele santo católico, daí nasceu o sincretismo religioso, que foi abandonado mais tarde pela maioria dos adeptos do Candomblé tradicional, com o "término" da escravidão e mais concretamente quando o Candomblé foi aceito como religião, e a liberdade de culto garantida pela Constituição Brasileira.

Designa ao mesmo tempo um sistema de representações mentais, uma hierarquia de poder, um conjunto de ritos e a comunidade humana que os veicula. Na realidade é a composição de toda a estrutura espiritual que envolve os deuses e seus representantes e promotores dos cultos em si.

À primeira vista para os leigos, o Candomblé é uma coisa só. Mas, não é bem assim. Existem vários grupos, onde o mais expressivo sem dúvida, é o grupo Yorùbá (na atualidade). Na época do tráfico de escravos, vieram muitos negros oriundos de Angola e Moçambique, os Bantos, Cassanges, Kicongos, Kiocos, Umbundo, Kimbundo, de onde se originou o “Candomblé Angola”, facilmente reconhecido por quem é da religião, pela maneira diferente de falar, cantar, dançar e percutir os tambores, o que é feito com as mãos diretamente sobre o couro com ritmos e cadências próprios, alegres e ligeiros.

Aliás é do Candomblé de onde se originou o  Samba, que tomou emprestado o próprio nome, que em Kimbundo significa "oração". Também deu origem ao "Samba de Roda", que  era feito como recreação, principalmente pelas mulheres, após os afazeres diários, dançando e cantando dizeres em sua maioria jocosos e galhofeiros.
 

O Terreiro
Nas comunidades das aldeias africanas, é no Terreiro que acontecem todas as manifestações culturais e religiosas. Geralmente é o espaço aberto no centro da aldeia. Ali se dança o “Ndzebola” (dança sensual das mulheres que encarnam o espírito, na República do Congo). Se faz a última homenagem aos mortos (matanga) bem como toda e qualquer manifestação espiritual ou de dança. Estes rituais são cultivados no terreiro até hoje em muitas aldeias da áfrica.

Para os negros trazidos ao Brasil o Terreiro também tornou-se um espaço sagrado polivalente. Durante o dia, o cômodo principal do barraco de uma ampla cabana situada no centro das habitações da comunidade, pode servir como sala de recepções para a Iyalorixá sacerdotisa principal (a mãe de santo) ou então até como salão de festas para as comemorações profanas dos crentes e de suas famílias. Nas celebrações sagradas, ocorrem as possessões acompanhadas de todo um ritual, onde os elementos espirituais são cultivados pelas “mães ou pais de santo”, sacerdotes e sacerdotisas dos cultos afros. A palavra Terreiro designa mais freqüentemente a comunidade sócio-cultural em si.
 

Xangô
Foi o quarto rei lendário de Oyo (África), tornado Orixá de caráter violento e vingativo, cuja manifestação são os raios e os trovões. Filho de Oranian, teve várias esposas sendo as mais conhecidas: Oyá, Oxum e Obá. Xangô é viril e atrevido, violento e justiceiro; castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores. Sua ferramenta é o Oxê (machado) de dois gumes. É tido como um Orixá poderoso das religiões afros, como Candomblé, Umbanda e outras. No Brasil este nome foi assumido pelo candomblé ao norte do Rio São Francisco, depois espalhando-se para outras regiões.


Macumba
Vem da palavra Ma-Kiumba (espíritos da noite). Designa as comunidades de candomblé, geralmente empobrecidas e em processo de aculturação sobretudo no sul e sudeste do Brasil. Essa terminologia é afro-brasileira sendo contestada por alguns autores e modificada por outros. Estes cultos tem origem dos povos Bantus (Congo-Angola).

Para saber mais sobre a tipologia dos termos empregados consultar: R. Bastide, Les Ameriques noires, les civilisations africaines dans le nouveau monde, Ed. Payot.

Os descendentes de escravos ainda fazem soar o tambor e os orixás baixam sobre eles, tal como entre os seus irmãos distantes de Abeokuta ou de Ketu. (Abeokuta é a capital de um reino Iyoruba da Nigéria Ocidental e Ketu é a antiga capital mais ocidental e é uma cidade do Daomé). Desde a América do Norte até os recantos da América do Sul os Terreiros Lucumi (Povo de origem Iyorubá), constituem uma poderosa motivação para a luta de milhares de jovens negros contra a opressão racial branca. Aliás a religiosidade sempre foi muito poderosa entre todos os povos e este poder espiritual serviu como álibi nas conquistas militares, culturais, etc... É importante salientar que os costumes, tradições e a religiosidade foram se misturando entre os escravos no Brasil pois estes foram arrancados de suas tribos e espalhados pelas fazendas de trabalho perdendo toda a sua identidade cultural comunitária.


A Congada
Constitui uma segunda estrutura política da diáspora, após o candomblé. Na realidade os senhores dos engenhos de açúcar necessitavam de um interlocutor e os negros de uma autoridade oculta. Assim era então feita a eleição periódica dos "Reis Congo". Esses reis exerciam seu poder sobre os escravos da lavoura vindos na sua maioria do Congo ou Angola. Mais tarde teriam também certa influência sobre os escravos dos centros de mineração, vindo na maioria de Guiné e Nigéria.

A Congada, é a cerimônia de investidura desses reis. Ela subsiste até nossos dias em diversas regiões do Brasil, se bem que despojada de muitos elementos de origem. O rito inicial tem o nome de Maracatu (investidura do rei) que lhe é concedida pelos seus súditos. Depois da coroação forma-se um cortejo de que participa toda a corte, composta de personagens simbólicos e de alta significação.

Esta procissão real caminha ao encontro de outro cortejo, encabeçado por sua vez pela rainha Gingha (Esta rainha viveu na Angola e se tornou famosa pela resistência à conquista portuguesa).
O novo rei Congo recebe dela, através de uma secular história de resistência de combates, uma segunda investidura, onde a rainha Gingha, lhe pede para continuar o combate contra o usurpador branco.


Umbanda
Pesquisas dizem que o Samba de Caboclos foi o embrião da Umbanda, onde nasceu o culto aos Òrìsà (orixás) cantado e falado em português, fazendo assim a nacionalização dos Òrìsà (Orixás) Africanos, que algumas pessoas faziam objeção por causa de ter uma  língua estrangeira não bem aceita pelos já nascidos brasileiros e que foram perdendo os conhecimentos da língua ancestral, principalmente por causa do analfabetismo.

A Umbanda é a mistura do Culto aos Òrìsà (orixás), do Catolicismo e do Kardecismo, resultando numa religião Afro-Brasileira.

Os cultos do povo BANTO diferentes do YORUBA.

O culto Banto ou Candomblé da Nação de Angola, como é chamado o culto no Brasil, teve maior destaque na comunidade afro-brasileira.

Estes negros ou bantos, como eram chamados devido a língua que falavam, seguiam a tradição religiosa de lugares como: Casanje, Munjolo, Cabinda, Luanda entre outros. Mas, o culto banto tem sua liturgia particular e muito diferenciada das culturas yorubá e fon.

Os nomes dos Deuses do Candomblé Banto são bem diferentes dos Yorubas como podemos ver abaixo :

  • Tata Ria Inkice - Zelador / Pai
  • Mameto Ria Inkice - Zeladora / Mãe
  • Tata Ndenge - Pai pequeno
  • Tata Unganga - O que joga búzios
  • Vumbi - Egun ..e assim por diante

O sincretismo religioso que se formou no Brasil demonstra a vasta dimensão da cultura religiosa negra que sobreviveu apesar da devastação preconceituosa das outras religiões dominantes.
 

A RELIGIÃO DOS NEGROS NO BRASIL (sua cosmogonia)

A dimensão da religiosidade assumida pelos negros no Brasil baseia-se sobretudo na cosmogonia do povo Iyorubá. Para eles um Deus único e supremo governa o universo. No Brasil ele é chamado de Olorum e também Olodumaré. Porem ao longo do Golfo da Guiné, o Rei dos céus é chamado de Oba Orum, o Criador do universo de Eledá, ou ainda , Aquele que existe por si mesmo de Oduduwá, e finalmente, aquele que não morre de Obatalá. Na realidade, são nomes diferentes para designar o Deus do Universo. Olorum tem um filho chamado Oxalá, o qual ficou incumbido de criar o mundo.
Os Orixás, são personificações das forças da natureza, saídas das mãos de Deus com a missão de serem os seus mensageiros entre os homens. O mito não fala da origem do homem.

Ainda existe paralelamente o culto dos Eguns.
Os Eguns são os mortos divididos em dois grupos. Os muito importantes (heróis guerreiros, os sábios, os reis, os babalaôs dotados de dons especiais, etc...) estes mortos aparecem nos terreiros encarnado-se nas mais diversas possessões. Os mortos ordinários, só costumam encarnar-se nas pessoas que em vida os haviam amado.
Para os africanos uma criatura amada morre, mas os vivos podem ir ao encontro dela na casa dos Eguns. Isso explica porque a morte para os negros não tem aquele significado de dor, solidão, perda e afastamento dos entes queridos, como para os brancos.
O culto dos Eguns, no Brasil, é celebrado em lugares especiais e em ocasiões especiais, ao contrário da África onde as casas de Egun coexistem com os terreiros de Orixá.

O Candomblé é uma instituição cujo fim essencial é manter a vida sobre a terra. Ou seja, o objetivo está em iniciar sempre novas Iyawôs (mulheres iniciadas), fazer soar o tambor, tornar possível a encarnação dos Orixás através dos sacerdotes, garantindo assim a permanência da vida no mundo. Aliás para isso acontece o Transe que é uma maneira de comunicação entre humanos e as divindades ou os mortos. De acordo com pesquisas feitas por R. Bastide, Le candomblé de Bahia, no Candomblé há sempre alegria e solenidade.


O TRANSE NO CANDOMBLÉ

Quem fala muito bem do assunto é R. Ribeiro em seus relatos "Analisis sócio-psicológico de la posesion´ em los cultos afro-brasileños", Buenos Aires. Podemos dizer que o Transe, é quando o indivíduo possuído age pelo subconsciente. Ou seja, a possessão bloqueia totalmente o "ego" (consciente), tanto que ao sair do transe a pessoa não lembra de nada do que disse ou fez.
Os orixás baixam invocados por cantos entoados pelas Iyawôs sob o ritmo dos tambores.
A mulher que entra em transe (geralmente são mulheres) fica com os pés descalços pois o orixá deve caminhar sobre o solo sagrado da África que se chama "Elu Ayê". Os tambores tocam seu ritmo adequado de acordo com cada tipo de Orixá encarnado. A possessão é vivenciada e socializada no grupo de forma que os conflitos mais íntimos do grupo são sanados. Em outras palavras, a possessão ritualizada representa a catarse do grupo, é uma espécie de terapia de grupo.


O RITUAL DE INICIAÇÃO À POSSESSÃO

O ritual, a seguir descrito está de acordo com os escritos de E. Carneiro, Candomblé da Bahia, Ed. De Ouro, Rio de Janeiro, os vários passos de uma postulante à possessão:

  1. Todo indivíduo possui um Orixá protetor. O primeiro passo consiste em revelar por meios divinatórios (conchinhas, colar de ifá, etc...) a identidade do Orixá protetor da postulante.
  2. As cerimônias de iniciação são longas e dispendiosas. Implicam num período de reclusão. A comunidade procura reunir dinheiro para cobrir essas despesas. Conhecido o Orixá-protetor a postulante deverá abster-se de relações sexuais e de alimentos, no dia da semana consagrado ao seu Orixá.
  3. A postulante passa a fazer parte durante alguns dias da comunidade das Iyawôs. Troca sua roupa. Purifica-se com um banho de folhas. Perde a sua identidade civil e adquire a de uma noviça.
  4. Passa por um treinamento profano. Aprende os cantos, habitua-se a reconhecer os diferentes ritmos dos atabaques, a diversas figurações de danças dos Orixás mais freqüentes em seu terreiro.
  5. O candomblé verifica se foi bem feita a adivinhação do Babalaô, ou seja, se o Orixá da noviça é realmente o indicado. À guisa de teste, fazem-se entoar sete, depois quatorze, e depois vinte e uma cantigas, cada uma específica de uma Orixá. A verificação é simples. A noviça cairá em transe durante a execução de um desses cantos.
  6. A noviça penetra na Camarinha (é um lugar sagrado no centro do terreiro, do qual só a Iyalorixá se pode aproximar), começa um longo período de reclusão absoluta (vários meses , segundo os diferentes candomblés), de orações e meditação.
  7. Após esse período de reclusão, a noviça se torna Iyawô (esposa dos orixás). Pode sair para integrar-se com as outras Iyawôs, mas ainda não pode ter contato com o mundo exterior (marido, filhos, vizinhos...), tem a cabeça depilada. Uma pedrinha é implantada na parte superior de seu crânio por onde o Orixá penetra para possuí-la. Deverá observar uma série de tabus sexuais e alimentares. Deverá usar um guizo atado ao tornozelo, durante dezessete dias, em sinal de submissão aos dignitários do candomblé.
  8. É dia de festa quando a nova Iyawô aparece em público pela primeira vez. Ela murmura o nome que passará a usar durante seu primeiro transe público e todos aplaudem.
  9. Sete dias depois acontece a cerimônia final, a nova Iyawô é resgatada pelo marido ou pelo pai ou um parente ou mesmo por um desconhecido. E entre discussões, cantos e danças a Iyalorixá concorda em aceitar um preço simbólico para deixar que a nova Iyawô retorne ao medíocre mundo dos vivos.



O SINCRETISMO E A CONFUSÃO DOS DEUSES

A mistura de deuses é um fenômeno bem conhecido da sociologia das religiões sobretudo quando se fala dos cristãos europeus e das religiões africanas. Assim os padres europeus sugeriram uma certa identidade entre a Virgem Maria e Yemanjá, entre Jesus Cristo e Oxalá. Juntam-se os cultos a Maria - Yemanjá com a festa da Imaculada Conceição (08 de dezembro), bem como na lavagem das escadas da igreja do Sr. do Bonfim na 2ª quinta feira do mês de janeiro, fazendo desta maneira seu ato de submissão a Xangô e respectivamente a Cristo.
O sincretismo é tão acentuado no Brasil que a cada santo católico os negros sobrepõe um nome dos Orixás Africanos (São Jorge = Oxossi, São Jerônimo = Xangô, São Roque = Omulu, Sr. do Bonfim = Oxalá, Santa Bárbara = Lansã), e assim por diante... Aliás, esta foi a melhor maneira de cultuarem seus deuses africanos diante da proibição irascível dos brancos quanto aos cultos afros desde a sua chegada ao Brasil...


A SITUAÇÃO SOCIAL DOS NEGROS

"Os meninos negros recebiam seu destino desde cedo, cresceriam e iriam para o cais onde ficavam curvos sob o peso dos sacos cheios de cacau, ou ganhariam a vida nas fábricas enormes. E não se revoltavam porque desde há muitos anos vinha sendo assim, os meninos das ruas bonitas e arborizadas iam ser médicos, advogados, engenheiros, comerciantes, homens ricos. E eles, os negros, iam ser criados desses homens." " Havia a tradição da escravidão ao senhor branco e rico. E essa era a única tradição. Porque a da liberdade das florestas da África já a haviam esquecido e raros a recordavam, e esses raros eram perseguidos e exterminados." (Jubiabá - Jorge Amado , cit. pp 29-30).
Outra citação demonstra muito bem o conceito que se tem do negro na sociedade brasileira: " ...O negro limpa as mãos e começa a pensar no motivo porque este homem insulta assim os negros. A greve é dos condutores de bondes, dos operários das oficinas de força e luz, da companhia telefônica. Tem até muito espanhol entre eles, muito branco mais alvo que aquele. Mas todo pobre agora já virou negro, é o que lhe explica Jubiabá." - (Jubiabá , Jorge Amado, Cit pp.248.)

Em pleno século XXI, pouco mudou quanto à situação social dos negros no Brasil. São eles que freqüentam menos tempo os bancos escolares, que tem menos acesso a funções sociais e políticas mais elevadas, que são responsabilizados pelos desequilíbrios e desgraças sociais existentes e tantas outras situações que lhes são impostas tal qual era feito há trezentos anos atrás. O papel os libertou dos grilhões externos mas a sociedade branca continua com a sua opressão psico-social, com racismos e segregacionismos camuflados, deixando os negros à margem de seus direitos e deveres. Toda esta situação social criou uma antipatia entre as partes . Esta situação tem solução, desde que os brancos deixem de ser colonialistas e os negros se sintam os colonizados. Na verdade depende mais dos negros assumirem seus verdadeiros papeis de igualdade humana e menos de diferenciação de cor, pois os preconceitos continuam baseados na superficialidade e na aparência. A intelectualidade e a capacidade de aplicação daquilo que se é, se sabe e se é capaz esta inerente a todo ser humano. O conhecimento está universalmente à disposição de todo ser humano com o qual ele poderá expandir seus horizontes e conquistar seu espaço social. Porém existem brancos, negros, amarelos e vermelhos que repousam na sua ingênua ignorância nativa (que nem sempre é tão ruim) e culpam o sistema do seu sub-desenvolvimento. Mas quem disse que o SISTEMA está certo? (nota do autor)
 

OS NEGROS EM JARAGUÁ DO SUL

De acordo com citação do livro "Jaraguá" - Emílio da Silva, pp 54... "iniciou-se uma povoação em 1901 na elevação mais próxima da aldeia do velho Jaraguá, cujos proprietários eram os ex-operários da fazenda do Jourdan, constituídos de gente na sua maioria de cor negra, dos Rosa, Ventura, dos Rita e outros, chamado Morro da África."

Em outro relato consta que, um dos primeiros mulatos a acompanhar os trabalhos do fundador Cel. Emílio Carlos Jourdan, foi João Estevão de Oliveira Rosa em 1880, natural de Porto de Ubanda. Casou-se com Rosa Thomasia da Conceição. O filho mais velho deles foi Domingos Rosa. Casou-se três vezes. Conforme escritos, quando Domingos Rosa morreu em 1946 com 80 anos, deixou 36 filhos, 138 netos, 107 sobrinhos e muitos bisnetos e tetranetos. Seus descendentes continuam morando nesta cidade em vários bairros, sobretudo na Vila Lenzi.

Também vem dos tempos da Colônia Jaraguá a família de José Custódio descendente de negros sendo numerosa a sua prole até os nossos dias.
Outra citação no livro do Frei Aurélio Stulzer "O primeiro livro de Jaraguá", pp74-75 diz : "... vieram com o coronel Jourdan 54 negros como trabalhadores. Destes temos 19 nomes como segue: Francisco de Paula, Justino Ventura, João Ventura, Trajano Francisco Mendes, Antonio Gomes, Henrique Pequeno (2mts), Germano Cearense, Ernesto Motta, Pedro Carioca, Manuel Gaúcho, José Alagoano, Antonio Farquejador, Manuel Ribeiro, José Benício, Domingos Rosa, Marcos Rosa, José Caetano, Amaro José e Raimundo dos Reis. Os outros 35 foram embora para S. Francisco e Paraty." Muitos descendentes destes primeiros trabalhadores continuam morando em nossa cidade.Podemos citar o caso do Sr. "Manequinha" - Manoel Rosa – filho de Domingos rosa, o qual tem contribuído muito com seu folclore do "Boi de mamão" Obs. O Boi de mamão é uma mistura de folclore Africano e Português mais comum na Região Norte e Nordeste do Brasil; e a escola de samba “Estrela d’Alva” criada por ele em 1950.


A MISCIGENAÇÃO

O Brasil é o país das mil e uma caras e cores, onde todos buscam seu espaço, sócio-cultural, profissional e espiritual. A região sul tem menor incidência de negros pois aqui a colonização foi feita sobretudo por imigrantes europeus os quais foram os maiores responsáveis pelo seu povoamento e não era permitido ter escravos nas colônias do sul. É importante salientar que a miscigenação era bem pequena nas comunidades do sul devido ao etnocentrismo das comunidades por várias décadas.

Mas como a mistura de raças é algo natural principalmente com a globalização, aos poucos vemos desenvolver-se uma raça bem brasileira, onde todas as características culturais estão presentes numa forma de Sincretismo Cultural.
Defendemos porém a tese de que as particularidades culturais de cada etnia sejam preservadas e cultivadas para não perdermos as raizes de cada uma delas das quais somos descendentes. A nossa identidade cultural não pode perecer na avalanche da multimídia global nos transformando em indivíduos anônimos sem história nem memória.

Botykala malamu = Fiquem em paz!
 

CULINÁRIA

Os negros criaram seus pratos típicos com o que dispunham aqui no Brasil pelas condições de sobrevivência e adaptação ao meio. Pouco foi conservado da culinária típica de seus países de origem até porque os ingredientes daqui nem sempre eram os mesmos da África. Isto aconteceu com a maioria dos povos imigrantes que mantiveram o nome dos pratos típicos mas adaptaram-se aos ingredientes daqui. Munguzá, é um prato típico criado pelos escravos do Brasil também conhecido na região sul como Cuscuz, porém o Cuscuz teve influencia da culinária árabe.

Mungunza Doce
 Ingredientes:

  • 3 Kg de milho branco
  • 3 garrafinhas de leite de coco ou 3 cocos ralados
  • 3 pacotes de coco ralado no caso de ser leite de garrafinha
  • 6 colheres de margarina com sal
  • 1 colher (sobremesa) de sal
  • 2 colheres de cravo
  • 3 canelas em pau
  • 3 latas de leite condensado

Modo de Preparo:
Deixe o milho branco de molho numa tigela por 12 horas. Neste período, troque a água de 3 em 3 horas, ao final das 12 horas, lave bem e leve ao fogo brando por 2 horas com água e o cravo. Depois, acrescente o leite de coco juntamente com o coco ralado e a margarina, deixe ferver por mais 15 minutos, então coloque o leite condensado e o sal, deixe por mais 5 minutos e acrecente a canela em pau, deixe mais 5 minutos e está pronto para servir, pode servir com canela em pó, ou raspas de limão e castanhas raladas, ou amendoim torrado, batendo as castanhas e o amendoim no liquidificador.

Sarapatel
  Ingredientes:

  • 1 fissura de porco ( fígado, bofe e coração)
  • Sangue de porco
  • 2 xícaras de chá de água
  • Limão a gosto
  • 2 cebolas roxas grandes picadas
  • 5 dentes de alho picados
  • 2 colheres de chá de pimenta-do-reino
  • 4 colheres de sopa de hortelã picada
  • 4 colheres de sopa de salsinha picada
  • 1/4 de xícara de chá de vinagre
  • 4 pimentas de cheiro
  • 4 colheres de sopa de banha de porco

Modo de preparo:
O sangue de porco pode ser encontrado já cozido e sólido, ou ainda líquido, em saquinhos de plástico. Se estiver líquido, cozinhe em água fervendo até que fique firme. Corte em cubinhos. Reserve. Leve os miúdos de porco ao fogo com água, bastante suco de limão e limões cortados ao meio. Espere ferver, troque a água e espere ferver novamente. Pique os miúdos. Acrescente todos os temperos. Deixe então tudo como está, de um dia para o outro. Na manhã seguinte, frite os temperos e os miúdos. Acrescente água e cozinhe mais duas a três horas até que os miúdos fiquem bem macios. Coloque o sangue cortadinho e deixe engrossar.

Acarajé - Também chamado de abará com a diferença de que o abará é cozido enquanto que o acarajé é frito.
 Ingredientes:

  • 1 quilo de feijão fradinho
  • 4 cebolas
  • sal a gosto
  • água azeite de dendê para fritar 

Molho:

  • 1 cebola
  • 200 gramas de camarão seco
  • azeite de dendê
  • sal e pimenta a gosto 

Modo de preparar:
Deixe o feijão fradinho de molho na água até amolecer (aproximadamente durante 6 horas). Escorra a água e parta o feijão na pedra com o rolo. Em seguida tire as cascas e os pontos pretos. Passe no liquidificador com a cebola e um pouco de água. Retire do liquidificador e coloque em uma tigela batendo com uma colher de pau. Tempere com sal e frite às colheradas em azeite de dendê bem quente. 

Molho:
Bata no liquidificador a pimenta, a cebola e um pouco de água, depois acrescente o camarão seco ligando o liquidificador só para misturar, sem dissolver o camarão totalmente. Leve ao fogo para cozinhar e secar. Por último, acrescente o azeite de dendê. Corte os acarajés ao meio sem separar as duas metades, recheie e sirva quente, logo após retirar do fogo.

Vatapá
 Ingredientes:

  • 1 peixe de 2,5kg em postas
  • 1 cebola grande em rodelas
  • 4 tomates sem casca em rodelas
  • 5 colheres de sopa de coentro picado
  • 4 colheres de sopa de azeite de dendê
  • 200g de camarão seco defumado torrado e descascado
  • 1 xícara de chá de castanha de caju
  • 1 xícara de chá de amendoim torrado e descascado
  • 1 pedaço de 7cm de gengibre
  • 2 pães de forma sem casca
  • 2 xícaras de chá de leite de côco
  • 4 xícaras de chá de água
  • Sal e pimenta do reino a gosto

Modo de preparo:
Tempere o peixe com sal e pimenta. Arrume as postas numa panela fazendo camadas alternadas de cebola, tomate e coentro. Molhe com suco de limão. Acrescente o azeite-de- Dendê por cima, tampe a panela e leve ao fogo. Cozinhe até que o peixe esteja macio. Retire o peixe dos temperos do caldo. Tire as espinhas e reserve o peixe. Passe os temperos de cozimento do peixe pelo liqüidificador junto com o caldo, o camarão seco, a castanha de caju o amendoim e o gengibre. Reserve.

Numa vasilha grande, coloque todas as fatias de pão, junte o leite de côco e amasse bem. Acrescente a água e mexa. Junte os temperos moídos e coloque tudo numa panela. Acrescente ½ xícara de azeite-de-dendê e leve ao fogo para cozinhar, mexendo com uma colher de pau. Deixe ferver por 15 minutos, mexendo até obter um creme brilhante. Acrescente os pedaços de peixe reservados e misture. Sirva quente.

Bobó
É um prato de origem africana. É um creme pouco consistente feito de inhame, vinagreira, etc., cozidos e amassados com azeite-de-dendê, pimenta, sal e um pouco de camarão seco. O bobó de inhame e o de vinagreira são os mais antigos, preparados desde o século XVII. Foram sendo sofisticados com o acréscimo, à massa básica, de frutos do mar (camarão fresco, caranguejo desfiado, mexilhão, bacalhau, etc.), previamente refogados.O atual bobó de camarão, prato de renome, também tem, entre seus ingredientes mandioca e leite de coco.

Caruru
O caruru é um prato típico, originalmente uma comida ritual do candomblé, trazida para o Brasil pelos escravos africanos. É preparado com quiabo, uma verdura de origem africana ou asiática, cebola, camarão frescos e seco, azeite de dendê, castanha-de-caju torrada e moída, amendoim torrado sem casca e moído.

E tantos outros pratos típicos

  • Arroz de hançã
  • Xinxim de bode e de carneiro
  • Quindim
  • Kwanga (aipim), no idioma Lingala do Congo (Farinha de aipim para fazer pratos típicos africanos).

 

INSTRUMENTOS MUSICAIS E OS RITMOS AFRICANOS NO BRASIL

Fonte : Kazadi wa Mukuna, contribuição bantu na música popular brasileira, perspectivas etnomusicológicas. São Paulo, Terceira Margem, 2000.

Berimbau
O berimbau é um arco musical originado de outros arcos de regiões africanas com ocupação banto. A forma atual e o modo de tocar são construções dos afro-descendentes brasileiros. O instrumento é composto pela verga de biriba, corda de aço, cabaça raspada, courão e caro. O courão impede que a corda rache a biriba e o caro é o barbante que ajuda na amarração da corda. É tocado com a baqueta e o dobrão (uma peça de metal, antigamente uma moeda), com acompanhamento do caxixi. Na Capoeira Angola existem 3 berimbaus: o Gunga (de som mais grave, que faz a marcação do toque e rege a roda de capoeira), o Médio e o Viola (de som mais agudo).

Caxixi
É um pequeno cesto com sementes. Tem, possivelmente, influências africanas e dos indígenas brasileiros em sua construção. Usado com o berimbau, dá um segundo momento no ritmo da baqueta no fio de aço.

Tambor , Atabaque ou Timbal
É um tambor de origem afro-brasileira com uso tradicional em rituais de candomblé. É feito em diversos tamanhos para produzir tons diferentes. Na Capoeira Angola é tocado só com as mãos.
O atabaque acompanha o berimbau Gunga na marcação do ritmo do jogo.
Tambores utilizados pelas tribos do Congo até hoje.

Pandeiro
O pandeiro é de origem asiática. Era usado pelos portugueses, em Portugal e no Brasil, em procissões religiosas. Depois passou a ser usado aqui em várias manifestações musicais. Na Capoeira Angola a batida do pandeiro, com floreios, acompanha o som do caxixi e do berimbau.

Agogô
Instrumento de origem africana. Tem a função de ser um contraponto rítmico aos berimbaus e ao atabaque.

Reco-reco
Instrumento de percussão fina enriquecem um conjunto com detalhes e variedade sonora. Na Capoeira Angola o reco-reco acrescenta esta variedade às vibrações únicas do agogô. O reco-reco parece ter origem africana pois é encontrado em várias manifestações culturais afro-brasileiras.


ENTRE OS RITMOS DE MAIOR DESTAQUE PODEMOS CITAR:

Afoxé - Ritmo oriundo da África e que faz parte dos rituais e cerimônias do candomblé.
Ijexá - Ritmo africano utilizado por blocos mais antigos da Bahia.

Capoeira - Dança de arte marcial vinda da África do povo Banto, praticada por duas pessoas no meio de uma roda, acompanhada principalmente ao som do berimbau.


Maculelê - Dança oriunda a África praticada por duas ou mais pessoas, com paus e espadas, insinuando uma luta ou briga.


Samba - Nascido na Bahia da mistura de ritmos brasileiros com africanos, conhecido mundialmente. Relembrando que é do Candomblé de onde se originou o  Samba, que tomou emprestado o próprio nome, que em Kimbundo significa "oração". Também deu origem ao "Samba de roda", feito como recreação, principalmente pelas mulheres, após os seus afazeres .

De acordo com Clóvis Moura, quilombos que é resistência ao escravismo. São Paulo, Ática, 1989, a capoeira, a congada, as danças e cerimônias cateretê, caxambu, batuque, samba, jongo, lundu, maracatu e coco de zambê são herança banto. O candomblé-de-angola, com o qual a capoeira angola mantém ligações, também é expressão de origem banto.


TRAJES

Preâmbulo
Esta primeira parte apresenta mais os trajes dos brancos em corpos dos negros como uma forma de auto-afirmação do poder colonialista. Como podemos ver abaixo, nem todos os trajes são típicos da África, mas constam deste trabalho até para podermos estabelecer parâmetros comparativos e entenderem a afronta que se fez com a desculturalização do povo africano. E um estudo que auto-representação de negros livres e escravos no Brasil da segunda metade do século XIX - II Sandra Sofia Machado Koutsoukos.


FOTOS DE ESCRAVOS

A foto (de João Ferreira Villela, Recife, c. 1860) retrata a ama Mônica, que fora levada até o estúdio pelos seus senhores, que queriam uma foto da ama, ricamente vestida e ataviada, junto ao menino por ela criado.


O luxo da ama expunha em público a riqueza da casa, mas escondia, na maioria das vezes, uma história de separação e dor. O luxo não conseguiu mascarar a condição humilhante da escrava e ela participou na construção da sua imagem naquele processo.

Na foto (Anônimo, Bahia, c. 1860) os dois escravos representados foram levados ao estúdio para fazer "figuração" na foto da rica senhora baiana.

As cadeirinhas eram sempre carregadas por dois escravos uniformizados, escolhidos entre os de melhor figura da senzala. Dessa forma, a senhora expunha em público a sua condição social. Curioso o contraste entre as atitudes dos dois escravos - o da direita mantém uma pose descontraída, meio displicente, até cruzou a perna, e o da esquerda com uma postura e expressão tão subservientes.

Foto de  (Alberto Henschel, Salvador, 1885) - Uma característica interessante é que as escravas eram sempre retratadas bem vestidas, na maioria das vezes com suas roupas típicas africanas, seus colares, pulseiras e anéis, penteados e adornos de cabeça.


O barbeiro da foto (de Christiano Junior, RJ, C.1866). Os homens raramente eram retratados em trajes típicos africanos, mas sim muitas vezes com seus andrajos rasgados ou, quando muito, vestindo paletó e calças de corte europeizado, como dito barbeiro exibe com orgulho seu instrumento de trabalho (o pente e a tesoura) e a sua profissão.

Esta última foto de (August Stahi, c. 1865), o fotógrafo do "exótico" optou por retratar o modelo em plano americano e fazer uso de um fundo liso para ressaltar e valorizar a imagem do cativo de tronco nu.


Aqui não precisa de traje nenhum para entender todo esse comportamento típico africano, se o corpo do escravo era uma propriedade, sua personalidade não era.


AINDA TRAJES AFRICANOS

Podemos observar moças com trajes típicos festivos, ou seja, trajes que são utilizados em ocasiões especiais (festas, danças, passeios, cultos religiosos...). As cores vivas demonstram alegria que envolve todo o viver do povo africano em geral.


Os trajes africanos apresentam momentos de festa e rituais religiosos com muitos adereços e máscaras que fazem parte da sua religiosidade e invocação aos deuses.


 

 


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